CBMT afasta tenente acusada de “excessos” em treinamentos

Tenente Ledur e o soldado Rodrigo Claro (Gazeta Digital)

Tenente Ledur e o soldado Rodrigo Claro (Montagem: Gazeta Digital)
Tenente Ledur e o soldado Rodrigo Claro
(Montagem: Gazeta Digital)

O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso (CBMT) afastou a tenente BM Isadora Ledur Dechamps, responsável pelos treinamentos dos novos soldados da corporação. Ela está sendo acusada, pelos alunos e pela família de Rodrigo Claro, 21 anos, de supostos excessos durante um treinamento aquático, realizado na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, no dia 10 deste mês.
A confirmação do afastamento foi feita pelo coronel Alessandro Borges Ferreira, responsável pelo inquérito que vai apurar a fatalidade envolvendo Rodrigo Claro, que morreu cinco dias após um treinamento naquele local, comandado pela tenente.
Família e amigos denunciaram a falta de ambulância durante o treinamento, bem como uma suposta perseguição que o rapaz já vinha sofrendo por parte da tenente.
Colegas de curso de Rodrigo informaram que ele vinha sendo submetido a diversos ‘caldos’ (afogamento forçado) e que chegou a reclamar de dores de cabeça e exaustão. Ainda assim, teria sido obrigado a continuar na aula.
Rodrigo morreu na noite de terça-feira (15) e as causas da morte ainda estão sendo investigadas pelo Instituto Médico Legal (IML).
Na tarde de quarta-feira (16), o corpo do ex-aluno estava sendo velado no 1º Batalhão, no Bairro Verdão, na Capital. À imprensa, o coronel Alessandro explicou que o inquérito militar, para investigar a conduta de Ledur, deve durar de 30 a 50 dias.
“A atenção até agora é dar apoio à família. Na sequência, vamos dar andamento ao inquérito que vai apurar todos os fatos ocorridos no dia do treinamento. Vamos conduzir essa investigação na busca da verdade que resultou nessa tragédia. Seremos transparentes”, explicou.
Segundo o coronel, há diversas denúncias que serão apuradas. “Temos ainda um laudo do IML que não foi conclusivo para saber a causa da morte”.
Sobre o fato da família e dos amigos terem falado abertamente que a tenente Ledur é a responsável pelo excesso durante o treinamento, o coronel disse que tudo deve ser investigado e que não fará pré-julgamento.
“Na verdade, todas as informações serão levadas para o inquérito. É óbvio que a tenente, nesse momento, não vai participar do treinamento nesse pelotão. Não vou fazer um pré-julgamento, mas vamos buscar a verdade”.
Para ele, a corporação não deve compartilhar de excessos e atos ilegais. “Não aceitamos isso. Nossa doutrina não fala em extrapolar os limites. Se houve excesso, houve um erro. Precisamos ter certeza do que aconteceu. A doutrina precisa ser seguida. Não podemos faltar com humanidade, nem compactuar com casos de tortura ou seja lá o que for”.
O coronel adiantou ainda, que dependendo do resultado das investigações, “os envolvidos poderão ser advertidos ou até excluídos da corporação”.
Apesar de ter sido afastada dos treinamentos, a tenente Ledur deverá ser promovida a capitã, nas próximas semanas.
Com Mídia News

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