Pai e madrasta matam e abandonam o corpo de criança

Madrasta e pai da criança (Foto: Inácio Roberto)

Madrasta e pai da criança (Foto: Inácio Roberto)
Madrasta e o pai da criança
(Foto: Inácio Roberto)

A banalização da vida, principalmente de indefesos, além da inexistência de amor e compaixão, podem ter sido motivos que levaram um pai a matar a própria filha, em Primavera do Leste (MT).
Conforme relatos da polícia do município, o corpo de uma criança, de apenas 2 anos, foi achado ontem (18), dentro de uma caixa de papelão, em uma mata que pertence a um loteamento daquela cidade. A criança foi morta no dia 7 de setembro – porém, o crime só foi descoberto neste fim de semana.
O pai da menina, Lenilson Barbosa de Souza (25) e Katia Cristina de Almeida Lopes (27), confessaram o crime, de acordo com a polícia. A madrasta disse às autoridades que Lenilson se irritou depois que a menina fez cocô nas roupas e na cama e agrediu a filha.
Segundo a delegada Luciana Casaverde, o casal morava em Água Boa e foi trabalhar em uma fazenda na região de Paranatinga, a 411 km de Cuiabá. A mãe, que tem a guarda da filha, permitiu que a menina fosse passar uns dias com o casal. A madrasta, o pai e a criança ficaram nessa propriedade por aproximadamente um mês, até que se mudaram para Primavera do Leste.
“No dia 7 de setembro, ela [madrasta] foi ao mercado e, quando retornou, ele [o pai] disse que tinha batido na menina porque ela tinha feito cocô na roupa e na cama. A criança estava grogue e decidiram dar remédio para dores a ela. Deixaram a menina no quarto e durante a noite viram que ela foi a óbito”, declarou a delegada.
A madrasta não disse qual remédio deu para a criança e o casal não chamou a polícia e nem procurou ajuda, depois que os dois perceberam que a menina havia morrido.“Desocuparam uma das caixas que usaram para a mudança, colocaram o corpo dentro de um saco plástico e o enrolaram no lençol que a criança dormia. Amarraram a caixa com uma corda e deixaram na casa. Foram trabalhar novamente em uma fazenda e regressaram depois de dois dias. Perceberam que [a casa] estava exalando um forte odor e decidiram se livrar da caixa [com o corpo]”, relatou a delegada.
Somente no dia 12 de setembro, o casal retirou a caixa com o corpo da menina de dentro da residência. Eles deixaram a caixa em uma área verde nos fundos do loteamento onde moravam. O casal ainda limpou a casa, que era alugada, e viajou para Goiânia.
“A mãe [da criança] tentava falar a todo momento [com a filha] e não conseguia. Em Goiânia, ele [o pai] ligou para a mãe e disse que a criança tinha desaparecido durante um assalto que sofreram. A mãe veio para a delegacia no sábado [dia 17] dizendo que a criança tinha desaparecido”, disse a delegada.
Os policiais fizeram contato com autoridades em Goiânia. No entanto, não havia nenhum registro do suposto assalto sofrido pelo casal, nem do desaparecimento da menina.
O casal retornou a Água Boa, onde vivia parte da família que se mobilizou para ir a Goiânia para tentar achar a menina. Os dois suspeitos chegaram a se oferecer para ajudar nas buscas. “Eles confessaram informalmente, mas na delegacia ele [o pai] ficou em silêncio”, finalizou a delegada.
O pai da criança indicou para a polícia o local exato em que a caixa havia sido deixada pelo casal. Os dois foram autuados por ocultação de cadáver. A perícia deve identificar a causa da morte.

Com Jornal Interativo/G1 MT

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