Amaggi, Bom futuro e JBS são investigadas pelo MPF

(Imagem ilustrativa/candidatoneto.blogspot.com)

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Segundo o site Folhamax, em matéria veiculada ontem, o Ministério Público Federal (MPF) através do caso Rios Voadores,  está investigando a participação em transações comerciais de três grandes grupos empresariais de Mato Grosso: JBS – o maior processador de carne bovina do mundo; Amaggi Exportação e Importação – uma das maiores companhias de compra e venda de grãos do país e que tem o ministro Blairo Maggi (PP) como um dos sócios; e Bom Futuro – outro líder no agronegócio, que tem no quadro societário o primo de Blairo, Eraí Maggi -, com uma  organização criminosa liderada pela empresa AJ Vilela, que vem promovendo regularidade ambiental de edificações, em áreas ilegalmente desmatadas na Amazônia.
Maior desmatamento da história da Amazônia
A empresa AJ Viela é acusada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e pelo Ministério Público Federal (MPF), de provocar o maior desmatamento já detectado pelo poder público na Amazônia, cuja atuação fazia uso de tecnologia de ponta e  obtinha informação privilegiada fornecida pelo ex-gerente do Ibama em Sinop (MT), Waldivino Gomes Silva, que alertava o grupo de Antônio José Junqueira Vilela Filho – o AJ Vilela ou Jotinha – sobre as operações de fiscalização ambiental que seriam realizadas pela autarquia. Segundo o MPF, se os desmatadores tivessem bens apreendidos, o gerente do Ibama liberava os bens por meio de fraudes.
Tentativa de homicídio
Os trabalhos de investigação do caso Rios Voadores também resultaram em provas que permitiram a reabertura de inquérito sobre a tentativa de homicídio da trabalhadora rural sem-terra, Dezuíta Assis Ribeiro Chagas, ocorrido em 2015 no acampamento 1º de Maio, na cidade de Euclides da Cunha Paulista, no interior de São Paulo, na região conhecida como Pontal do Paranapanema. As provas coletadas pelo MPF e utilizadas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo na denúncia ajuizada por tentativa de homicídio apontam AJ Vilela como líder de um grupo responsável pela prática desse crime.
Desmatamento
A denúncia por desmatamento e corrupção contra Waldivino Silva, o mandante e financiador do esquema AJ Vilela, de dois dos executores dos crimes, Jerônimo Braz Garcia e Wanderley Ribeiro Gomes, e contra a esposa de Waldivino Silva, Obalúcia Alves de Sousa, que recebia os recursos obtidos com o desmatamento e atuava para dificultar o rastreamento desse dinheiro, faz parte de uma série de oito ações ajuizadas pelo MPF contra o grupo. Na região de Sinop (MT), o grupo desmatou três quilômetros quadrados de floresta. Em Altamira (PA), a devastação provocada por AJ Vilela e seus liderados chegou a 330 quilômetros quadrados de mata nativa, numa área equivalente ao território de municípios como Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG) ou Recife (PE). O esquema conseguiu movimentar pelo menos R$ 1,9 bilhão, entre 2012 e 2015.
Esquema
A participação de Waldivino Silva e da esposa foi descoberta pela força-tarefa da operação Rios Voadores durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na empresa de Jerônimo Garcia, a Jerônimo Máquinas Ltda, em Sinop. No local foi apreendido comprovante de depósito bancário em nome de Obalúcia de Sousa. Além de ser casada com Waldivino, ela tem empresa cadastrada na Receita Federal cujo endereço de correio eletrônico está em nome do marido.
Por meio de interceptações telefônicas a equipe de investigação comprovou que o grupo de AJ Vilela recebia informação privilegiada a respeito das fiscalizações, e atuava de acordo com esses alertas. “Certamente, esse tipo de informação só poderia vir de alguém do próprio órgão ambiental que possuísse cargo de chefia”, destaca a denúncia do MPF.
O ex-gerente do Ibama também ajudava o grupo criminoso cometendo ilegalidades na condução de procedimentos administrativos do órgão ambiental. Tratores, correntões e combustível apreendidos em ações de fiscalização, por exemplo, foram devolvidos ao grupo de AJ Vilela com base em decisão de Waldivino Silva não inserida no procedimento administrativo e não comunicada ao núcleo de instrução processual da autarquia, o que levou o MPF a denunciá-lo por sonegação de documento.
Alguns dos equipamentos ilegalmente devolvidos por Waldivino Silva aos desmatadores voltaram a ser apreendidos em novas ações de fiscalização, pois novamente estavam sendo utilizados para a derrubada ilegal de floresta. Esse é o segundo texto de uma série de cinco que busca detalhar o conteúdo das novas ações ajuizadas este mês pelo MPF contra o grupo de AJ Vilela. Somadas às ações ajuizadas após a operação Rios Voadores, de junho deste ano, o MPF encaminhou à Justiça Federal em Altamira cinco denúncias criminais, duas ações civis públicas ambientais (uma delas com bloqueio de bens já decretado no valor de R$ 420 milhões) e uma ação civil pública por improbidade administrativa.
Escravidão
Com um total de 24 acusados, as ações tratam de crimes de submissão de trabalhadores a condições semelhantes às de escravos, frustração de direitos trabalhistas, falsidade ideológica, invasão e desmate ilegal de terras públicas, provocação de incêndios, impedimento da regeneração de florestas, corrupção ativa e passiva, sonegação de documentos, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de improbidade administrativa e responsabilização por danos ambientais. Os acusados estão sujeitos a penas de até 238 anos de prisão, multas, pagamento de R$ 503 milhões em prejuízos ambientais, recuperação da área ilegalmente desmatada, demolição de edificações construídas em áreas irregulares, e proibição, por até dez anos, de acessar linhas de financiamento ou benefícios fiscais oferecidos pelo poder público.
Além da atuação perante a Justiça Federal, as investigações do caso Rios Voadores motivaram o MPF a expedir duas recomendações. Uma foi enviada à Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), para que a autarquia disponibilize ao Ibama acesso a todas as informações necessárias à fiscalização ambiental.
Relação de todas as pessoas físicas citadas nas ações:
Adilce Eleotério Garcia (Panquinha); Adulão Alves de Lima; Ana Luiza Junqueira Vilela Viacava; Ana Paula Junqueira Vilela Carneiro Vianna; Antônio José Junqueira Vilela Filho; Arnildo Rogerio Gauer; Clésio Antonio Sousa Carvalho; Clesio Antonio Sousa Carvalho Filho; Douglas Dalberto Naves; Edson Mariano da Silva; Eremilton Lima da Silva ; Jerônimo Braz Garcia; Laura Rosa Rodrigues de Sousa; Leilson Gomes Maciel; Marcio Kleib Cominho;Mariano Barros de Morais; Narciso Lidio Pereira Mascarenhas; Nilce Maia Nogueira Gauer; Obalúcia Alves de Sousa; Olivio Bertoldo João Bachmann; Ricardo Caldeira Viacava; Rodrigo Siqueira Pereto; Vanderley Ribeiro Gomes (vulgo Beto); e Waldivino Gomes Silva.
Com Folhamax

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