Cursi teria trocado propina de R$ 1 mi por barras de ouro

Cursi está preso no CCC (Rogério Florentino/Olhar Direto)

Cursi está preso no CCC (Rogério Florentino/Olhar Direto)
Cursi preso no Centro de Custódia de Cuiabá
(Rogério Florentino/Olhar Direto)

O ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, Marcel Souza de Cursi, preso pela Operação Sodoma (em duas fases), teria recebido R$ 1 milhão em propina em conseqüência de uma suposta fraude na desapropriação do bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá. O valor, segundo representação da Polícia Civil ratificada pelo Ministério Público Federal, teria sido convertido em 10 Kg de barras de ouro. O documento (representação) foi entregue a magistrada Selma Rosane Arruda, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, gerando a 4ª fase da referida operação.
Metamat
Consta dos autos que o valor foi entregue por Cursi a João Justino, ex-presidente da Companhia Mato-Grossense de Mineração (Metamat), para que providenciasse a compra de ouro. Ao final do ano de 2014, Pedro Nadaf – ex-secretário de Casa Civil – teria entregado as barras de ouro a Marcel.
Desvio
Conforme a Polícia e o MPE, as diligências realizadas evidenciaram que o pagamento da desapropriação do imóvel conhecido por Jardim Liberdade, localizado nas imediações do Bairro Osmar Cabral, na capital, no valor total de R$ 31.715.000,00 à empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários Ltda, proprietária do imóvel, se deu pelo propósito específico de desviar dinheiro público do Estado de Mato Grosso em benefício da organização criminosa liderada pelo ex-governador Silval da Cunha Barbosa.
Grupo criminoso
Ficou comprovado na investigação que, além de Silval Barbosa, participaram da fraude Pedro Jamil Nadaf (ex-secretario chefe da Casa Civil), Francisco Gomes de Andrade Lima Filho (procurador de Estado aposentado), Marcel de Cursi (ex-secretario de fazenda), Arnaldo Alves De Souza Neto (ex-secretario de planejamento), Afonso Dalberto (ex-presidente do Intermat), além do proprietário do imóvel Antonio Rodrigues Carvalho, seu advogado Levi Machado, o operador financeiro do grupo criminoso, Filinto Muller, e os empresários Valdir Piran e Valdir Piran Junior, pai e filho.
De todo o valor pago pelo Estado pela desapropriação, metade, ou seja, R$ 15.857.000,00, retornaram via empresa SF Assessoria e Organização de Eventos, de Propriedade de Filinto Muller, em prol do grupo criminoso.
De acordo com a investigação, a maior parte do dinheiro desviado no montante de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) pertencia a Silval Barbosa, ao passo que o remanescente foi dividido entre os demais participantes, no caso Pedro Nadaf, Marcel De Cursi, Arnaldo Alves de Souza Neto, Afonso Dalberto e Chico Lima. Silval usou o valor para saldar uma dívida com Piran.
Conforme os autos, uma reunião na sala de Chico Lima, no Palácio Paiaguás, deliberou que a responsabilidade de passar o dinheiro referente à parte que cabia a Marcel de Cursi era de Pedro Nadaf; a responsabilidade de passar o calor cabível a Arnaldo Alves de Souza Neto e Afonso Dalberto era de Chico Lima e que a parte de Silval Seria destinada diretamente a Valdir Piran.
O caso e prisões
A Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) foi a responsável por desencadear a 4ª fase da Operação Sodoma, investigando crimes de corrupção praticados por uma organização criminosa no Estado de Mato Grosso.
O ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), que está preso no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC),  além de Marcel De Cursi, Arnaldo Alves, Silvio César Correia Araújo e Valdir Piran, tiveram outro pedido de prisão preventiva cumprido.
Para prestarem interrogatórios, foram conduzidos coercitivamente Valdir Piran Junior, Eronir Alexandre, Marcelo Malouf, José Mikael Malouf, Willian Soares Teixeira, além do cumprimento de buscas e apreensão em residências e empresas dos investigados.
Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, procurador de Estado aposentado, foi preso por mandado de prisão preventiva no Rio de Janeiro (RJ), por policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
Os investigados Valdir Piran e Arnaldo Alves tiveram os mandados de prisão cumpridos em Brasília, com apoio da Polínter do Distrito Federal.
Toda a operação conta contou com suporte da Secretaria de Estado de Segurança (Sesp) de Mato Grosso, da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, e da Polínter de Brasília. Para a operação foram mobilizados cem policiais civis (delegados, investigadores e escrivães lotados na Defaz, Deddica, GCCO, GOE, Dema, DRE).
A substituição de dinheiro desviado (lavagem) por ouro, com certeza é uma das formas de muitos ladrões de dinheiro público, “sumir” com as provas do ilícito.
Pode-se imaginar, quantos lançam mão desse artifício, para “limpar” os cofres públicos por aí.

Com Olhar Jurídico

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